segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Paróquia de Acaraú celebra seus 180 anos de Evangelização

Capa do livro do tríduo
          A Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Acaraú completou no ultimo dia 5 de setembro 180 anos de sua existência.
     Foi celebrado um tríduo em preparação à data festiva. O tríduo teve inicio na quarta feira (5), estendendo-se até sexta feira (7). A Festa maior foi sábado (8), onde os fiéis participaram em massa da Celebração Eucarística e prestaram suas homenagens à Paróquia.
   Terminada a Santa Missa, os paroquianos se reuniram em frente a Matriz para cantar os parabéns e partilhar o bolo.

Histórico da fundação:
Criação da Freguesia

        Desde seus primórdios, a população do modesto povoado marítimo chamado Barra do Acaraú, desejava a criação de sua Freguesia.

         Não obstante, uma dificuldade quase insuperável vinha criando sérios obstáculos a satisfação dessa justa aspiração coletiva; era a longa distância que o separava da Capital, de par com a escassez de prestigio daqueles que se encontravam a frente ou direção do lugarejo.
         A 12 de setembro de 1866 foi criada a Freguesia de Almofala, outro povoado marítimo vizinho, localizado quase a foz do rio Aracati-mirim. Tal fato agiu como uma ducha de água fria, no seio da comunidade acarauense e que perdeu, então, metade de suas minguadas reservas de esperança,todavia, por influência, talvez, de colonos estrangeiros que aqui vinham chegando e aqui vinham ficando, a Regência Trina, composta dos corifeus, brigadeiro Francisco de Lima e Silva, e deputados João Brandão Muniz e José da Costa Carvalho, a 5 de setembro de 1832, sancionou e deu publicidade ao Decreto Imperial da mesma data, criando a Freguesia da Barra do Acaraú.
     Desta maneira estava satisfeito um antigo desejo daquele povo trabalhador e ordeiro. Fora criada, finalmente, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Acaraú.
                                                  A Matriz 
           Ao longo dos anos e dos séculos, em todos os oito e meio quilômetros quadrados que integram a superfície do nosso glorioso Brasil- Terra de Santa Cruz - a formação de um aglomerado humano teve inicio, quase sempre, com uma capelinha.
Geralmente, em torno dessa capelinha, as moradias foram sendo construídas, e, ao sopro do progresso, a povoação foi-se ampliando com novas ruas e praças, à medida que a população ia aumentando e prosperando.

       Consoante assevera o escritor Gustavo Barroso, "é a capela que surge, a igreja que a substitui e, enfim, a matriz em torno da qual a vila é formada e ali se transforma em cidade. Preside a tudo o espírito cristão. E a sombra da cruz que assim, povoa e civiliza o deserto".

        Foi isto mesmo que sucedeu em Acaraú. Como dissemos, as primeiras casas aqui levantadas, foram dispostas em ruas, no objetivo de formar-se um amplo quadrilátero.

        Dizem que no meado do século XVIII os moradores da povoação de Acaraú, localizada quase à embocadura do Rio das Garças, resolveram edificar uma capelinha, na qual seriam realizados os atos do culto cristão.

       Então o Pe. Agostinho de Castro Moura, que naquela época residia no povoado de Almofala, a pedido dos representantes da Barra do Acaraú, aqui veio, para escolher um local conveniente onde deveria ser construído o pequeno templo.
        Como era crível aquele sacerdote deu preferência exatamente ao ponto onde hoje se ergue a majestosa Igreja-Matriz de Acaraú, já pela conveniência do terreno; já em razão das moradias existentes no local.
         A população ficou satisfeita com a escolha, e, de imediato, começou a construir a capela, que foi consagrada a Nossa Senhora. Entretanto, as condições financeiras dos interessados, não lhes permitiram fazer mais do que uma igrejinha de taipa, coberta de palha, pois a telha e o tijolo eram materiais de difícil aquisição, naquelas "priscas eras que bem longe vão".
   O templo era de tão acanhadas dimensões que, no ano de 1849 aqui esteve, em Visita Pastoral, a Cônego Antônio Pinto de Mendonça, a qual deixou de realizar uma cerimônia solene, "porque a dita casa de oração não tem capacidade para isso".

          O eminente historiador F. Sadoc de Araújo afirma ˜o POVO de 14.11. 82 - que "não encontrou, até hoje, qualquer documento que faça menção a essa capela".
           Na verdade, em nosso livro "Município de Acarau", publicado em 1971, dissemos que nos faltavam documentos idôneos, motivo porque os informes que ali registramos sobre referido templo, foram colhidos na tradição oral, única fonte de que então podemos dispor, e que nos deu a capelinha como levantada em 1749.
          O saudoso Bispo D. José Tupinambá da Frota, em seu precioso livro "Historia de Sobral", 1ª ed. pag. 31, informa que, no tempo das charqueadas - 1745/1790 - "era incessante o trânsito entre a Vila de Sobral e o porto de Acarau", e que "não menos de 900 carros trafegavam continuamente nos meses do verão".
         Dai se pode concluir que o número de moradores da Barra do Acaraú já era relativamente apreciável. E dado a espírito religioso da época, é fácil acreditar que houvesse um local próprio onde os fiéis se reuniam para o exercício do culto, em comum. E foi isto, exatamente, o que nos levou a crer no que então nos informaram sabre aludida capelinha.
           E acresce que ate hoje não tínhamos conhecimento da "Ermida de Nossa Senhora da Guia", construída, pelo Pe. Francisco Gonçalves Ferreira Magalhães, em 1815, e mencionada por Mons. Sadoc, em seu utilíssimo trabalho publicado em O POVO. É provável, até, que nossos informantes a confundissem com a igrejinha de paredes de taipa a que aludimos tanto em
 Acaraú.                                                





 Fonte da história da Paróquia: Acaraú cidade centenária - Nicodemos Araújo-via Blog Paróquia de Acaraú, por Totó Rios.

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